terça-feira, 9 de agosto de 2011

London looting...

Well done Youth UK for expressing the extent of your ambitions: stealing stuff from River Island, Next, Currys, Carphone Warehouse, etc...

I would love if these riots were standing for some noble revolutionary cause, but I seriously can't see that the majority of the ones involved are thinking beyond the looted freebies they can get.

This is post-modernity for you: no ideology, no sense of belonging, utmost detachment and disillusion. Unleashed death drive. Chaos reigns!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Fear, anxiety, loneliness, pain, sadness, suffering...

All of these feelings are part of life. But sometimes it becomes too difficult to carry on, to keep fighting, to see a light in the end of the tunnel.

Life can bring about many wonderful experiences and opportunities, but also present us with great challenges. Stress, loneliness, depression, anger, these are all examples of what we have to deal almost on a daily basis. And sometimes with these difficulties come the feeling of inadequacy, of fighting against all and everyone on our own.

As a psychoanalytic psychotherapist and counsellor working in London I have seen my fair share of people struggling with their lives, feeling held back by emotions and thoughts that sometimes are hard even to be named. But as people thrive for independence and freedom, sometimes it also becomes difficult to seek help, to realise that we can't make it on our own.

Friends and family do play a very important role in helping and us, but at times the sympathy and support may feel like a burden to others. Not just because people have their own problems or may run out of patience or empathy, but simply because in times of trouble part of ourselves want to be left alone, to suffer and sulk on our own, feeling sorry for ourselves. We all have been there.

That is why it takes courage to realise that we all need help from time to time. And it may be of great help to see someone who is qualified and trained to listen in a non-judgemental way, who is not afraid to challenge the illusion of stability and control that we often create for ourselves, specially in times of difficulty.

Talking to a psychotherapist or counsellor can help.

Allan Gois, MA – Psychotherapy in London | Counselling in London

http://www.allangois.co.uk

http://allangois.wordpress.com

sábado, 16 de julho de 2011

http://www.allangois.co.uk

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Website

New website:

http://www.allangois.co.uk/

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Faço dele as minhas palavras...





Arnaldo Jabor


Brasileiro é um povo solidário.

Mentira. Brasileiro é babaca.

Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida.

Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza.

Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade...

Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.


Brasileiro é um povo alegre.

Mentira. Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.

Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema.
Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.


Brasileiro é um povo trabalhador.

Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência. - O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.


Brasileiro é um povo honesto.

Mentira. Já foi, hoje é uma qualidade em baixa.

Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.


90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora.

Mentira. Já foi.

Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.

Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como "aviãozinho" do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.

Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

O Brasil é um país democrático.

Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.

Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

Democracia isso? Pense!


O famoso jeitinho brasileiro.

Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um "gato" puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.

No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né?

Grande coisa...


O Brasil é o país do futuro.

Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro !? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.


Deus é brasileiro.

Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.


Para finalizar tiro minha conclusão:


O brasileiro merece!

Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar.

Comentário do Allan Gois:

É a insatisfação que nos move, que nos permite melhorar... portanto se tem uma coisa que pode fazer este país ser uma grande nação é a insatisfação, expressa de toda e qualquer maneira. A crítica é uma delas... Não importa se haverá ofensa ou não, hostilidade ou não. O meu maior desejo é desarticular a alienação das pessoas, a tangência e inércia nesta ciranda de escândalos e desrespeitos chamado... Brasil...



quarta-feira, 4 de julho de 2007

Espiritualidade e Resiliência - A Superação e a Transcendência

Desculpem-me pelo tamanho dos textos que venho postando. Por enquanto não criei nada "novo". Estou apenas postando textos antigos, artigos, apresentações em simpósios e algumas aulas. Assim que tiver tempo e disposição, volto a escrever. Aí prometo que escrevo mais em associação livre, ou seja, do fundo da minha alma, sem me preocupar muito com o rigor científico. Enquanto este momento não chega, aí vai...



ESPIRITUALIDADE E RESILIÊNCIA - A Superação e a Transcendência

INTRODUÇÃO

No nosso cotidiano ouvimos freqüentemente relatos ou casos de pessoas afirmando que superaram suas adversidades com a ajuda de Deus, ou pela fé, ou significando tais experiências à luz da espiritualidade. De fato, tais relatos representam sempre histórias de superação na adversidade e de como vencer o sofrimento. A própria resiliência carrega caracteres do exercício subjetivo e objetivo da espiritualidade. Mas a espiritualidade também contém aspectos resilientes em si e, por sua vez, os promove.

Sabendo disto, vou buscar através desta comunicação estabelecer as possíveis relações conceituais entre a espiritualidade e a resiliência, aplicando-as mutuamente. Vou iniciar delimitando os conceitos, a saber, o que é resiliência, o que é espiritualidade (e o que não é), para depois fazermos a síntese e buscar tal relação.

1- DA RESILIÊNCIA

Não é fácil resumir toda a literatura disponível sobre resiliência. Muitos são os teóricos, e cada um destes aborda um ou mais aspectos particulares acerca deste assunto. Inicialmente, no dicionário Michaelis, temos a seguinte definição:

Re.si.li.ên.cia sf (ingl resilience)
1 Ato de retorno de mola; elasticidade. 3 Poder de recuperação. 4 Trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico.

O Novo Dicionário Aurélio traz o seguinte significado: “Resiliência é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica”. Este termo, então, advém da Física, e passa o sentido de elasticidade, da flexibilidade de um corpo quando pressionado, esticado, dobrado, enfim. Mas esta idéia não expressa a totalidade do conceito.

Na literatura científica, o termo “resiliência” é um tanto quanto recente. Todavia, enquanto fenômeno é algo que se estende por toda a existência da humanidade e a segue através dos tempos. São vários os autores que trabalham o conceito, todavia, ressaltarei as idéias mais marcantes quanto à temática.

Redl, em 1969, foi o primeiro autor a cunhar o termo “resiliência do ego”, o qual inclui a capacidade de resistência da pessoa frente a pressões patogênicas, e a sua habilidade de recuperar-se rapidamente de um colapso temporário, retornando, então, para um funcionamento normal ou mesmo superior ao inicial. Aí já encontramos uma diferença com relação ao sentido dicionarístico. Redl, então, observa que além de voltar ao estado “normal” de funcionamento, alguns indivíduos chegavam a superar este, avançando a um estado superior ao que lhe era normal.

Anthony (1987) apresenta a idéia de crianças invulneráveis ou bonecas de aço. Todavia a invulnerabilidade não é uma idéia adequada, tendo em vista que implicaria em uma resistência absoluta ao adoecer. Se há resiliência, esta só pode ser provada pela adversidade. Se a adversidade não atinge a pessoa, nunca saberemos se há resiliência ou não.

Rutter (1987, 1993) coloca que a resiliência é um conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que ocorrem em um tempo, dadas certas combinações benéficas da criança, da família, ambientes social e cultural.

Flach (1991) estabelece alguns traços característicos de personalidade e alguns atributos do indivíduo resiliente. Os principais são:

· Uma forte auto-estima,
· Senso de humor,
· Independência de pensamento e ação, sem medo de depender dos outros ou relutância em fazê-lo,
· Capacidade de trocas nas relações, um grupo estável de amigos (inclusive alguns confidentes).
· Grande disciplina pessoal e senso de responsabilidade,
· Reconhecimento e desenvolvimento de dons e talentos pessoais,
· Auto-respeito,
· Criatividade,
· Habilidade para recuperar a auto-estima quando esta estiver diminuída ou temporariamente perdida,
· Capacidade para aprender,
· Capacidade para tolerar a dor, grande tolerância ao sofrimento,
· Abertura e receptividade para novas idéias,
· Disposição para sonhar,
· Uma vasta gama de interesses,
· Insight a respeito dos próprios sentimentos e percepção dos sentimentos dos outros, e a capacidade para comunicar estas opiniões de maneira adequada,
· Flexibilidade,
· Concentração, um compromisso com a vida, e um contexto filosófico no qual as experiências pessoais possam ser interpretadas com significado e esperança, até mesmo nos momentos mais desalentadores da vida.

Polk (1997), revisando a literatura científica acerca da resiliência, estabeleceu, quatro padrões devidamente categorizados:

1. Padrões disposicionais: recursos pessoais, físicos ou psicossociais.
2. Padrões relacionais: relacionamentos, intrínsecos ou extrínsecos.
3. Padrões situacionais: habilidades para lidar com situações diversas, incluindo também situações estressoras.
4. Padrões de crenças pessoais, filosóficas e religiosas.

Grotberg, em 1999, afirma que a resiliência é justamente a capacidade humana universal de superar as adversidades da vida e/ou ser fortalecido por elas, sendo parte de um processo evolutivo que deve ser promovido desde o nascimento. É como Nietzsche diz: o que não me mata, me fortalece.

Ao transitarmos por estes autores (e muitos outros), percebemos que o conceito vai se expandindo, desde fatores individuais até os culturais, e vai sendo aplicado universalmente. Então é algo característico da raça humana, que difere em termos de níveis de pessoa para pessoa. Mas o que é característico de todas as teorizações é justamente a questão da adaptabilidade e flexibilidade, da recuperação, da superação, e da presença de adversidade e de experiências realmente vividas pelos indivíduos, e não somente ricocheteadas ou esquivadas. Ora, se há resiliência, há adversidade para prová-la. A característica do resiliente, portanto, não é de ser invulnerável às adversidades. Pelo contrário, o resiliente é alguém que sofre sim, que vive este sofrimento, que faz com que as experiências passem por dentro de si e o tornem mais forte, como o ouro depurado pelo fogo. Se o indivíduo não sofre, também não é humano, é máquina.

Após refletirmos, portanto, sobre a condição humana perante o sofrimento e a resiliência que brota das experiências de cada indivíduo, passemos, então, a analisar a questão da espiritualidade na humanidade.

2- DA ESPIRITUALIDADE

Antes de falarmos sobre espiritualidade, precisamos delinear algumas idéias acerca da religião e da religiosidade, para diferenciarmos os conceitos, posto que não são sinônimos.

Freud trabalha sobre a religião, principalmente, nos seguintes artigos: Totem e Tabu (1913); O Futuro de uma Ilusão (1927); Mal-Estar da Civilização (1930); e Moisés e o Monoteísmo (1939). Ele analisa basicamente a questão da necessidade prática do ser humano de controlar o mundo à sua volta, a onipotência de pensamento, e correlaciona ainda a religião à neurose obsessiva. Ele também trabalha sobre o desamparo do ser humano, e como a religião tem a função de tornar tal desamparo em algo tolerável. Os ensinamentos religiosos são encarados como relíquias neuróticas e Freud afirma que chegou o momento de substituir os efeitos da repressão pelos resultados da operação racional do intelecto. Ele diz que a humanidade irá superar esta fase neurótica.

Ora, a preocupação de Freud com a religião é a mesma de um psicanalista diante de um neurótico obsessivo: a cura. Todavia, da mesma forma que a neurose ou qualquer outra estrutura e seus devidos sintomas têm uma função de ser e estar no indivíduo, assim também é a religião para a sociedade. A religião, é necessidade e produção humana, e por isso está carregada de toda a subjetividade humana (neuroses, psicoses, enfim). Parece ser a aplicação e prática da espiritualidade, mas instituída de forma bem definida, composta de regras, leis, ritos, manejos, conjuros, enfim, questões humanas na sua relação com o sagrado.

Karl Marx, por sua vez, afirma:

“O sofrimento religioso é, ao mesmo tempo, expressão de um sofrimento real e um protesto contra um sofrimento real. Suspiro da criatura oprimida, coração de um mundo sem coração, espírito de uma situação sem espírito: a religião é o ópio do povo.” (in ALVES, 2001, p. 68)

Marx, assim como Freud, percebe que a religião é fruto da necessidade humana frente ao desamparo, ao sofrimento, à opressão, enfim. A tão citada frase “a religião é o ópio do povo” nada mais é do que um atestado de que a religião de certa forma traz uma atenuação para a realidade aterrorizante, um alívio para o sofrimento. A alienação se dá no âmbito do desejo, pois o desejo do indivíduo passa a ser o desejo de um outro. Este é o ópio.

Emile Durkheim, importante filósofo e sociólogo francês, afirma o seguinte acerca da religião: “Não existe religião alguma que seja falsa. Todas elas respondem, de formas diferentes, a condições dadas da existência humana.”

Ludwig Feuerbach, em seu livro A Essência do Cristianismo (1997), afirma: “(...) a religião é o solene desvelar dos tesouros ocultos do homem, a revelação dos seus mais íntimos pensamentos, a confissão pública dos seus segredos de amor”.

Rubem Alves, em seu livro O Que é Religião? (2001) a define congregando todos estes aspectos observados até o presente momento. Ele diz o seguinte: “(...) a religião, teia de símbolos, rede de desejos, confissão da espera, horizonte dos horizontes, a mais fantástica e pretensiosa tentativa de transubstanciar a natureza”.

Portanto, em todas estas definições e concepções acerca da religião que pudemos estabelecer em diálogo com vários pensadores da cultura, vemos algo em comum: que a religião é algo inerentemente humano, fruto do desejo, da falta, justamente daquilo que nos move enquanto seres humanos. Que é necessária para humanidade. Apesar de não serem sinônimos, religião e espiritualidade se completam e se aplicam uma na outra.

Mas o que é, então, espiritualidade?

Paul Tillich, teólogo, afirma que o ESPÍRITO é uma dimensão da vida. A palavra espírito, nas línguas semíticas e também no grego, dá o sentido de FÔLEGO, o que mantém a chama da vida acesa. O autor vai além e afirma que o espírito é a vida que penetra na própria vida. Tillich define vida como sendo a “atualização do ser potencial”. Ele afirma, então, que a espiritualidade, então, “une o poder de ser com o sentido de ser”. A vida, portanto, só pode ser vivida na sua potencialidade se a instância “espírito” é integrada a todas as outras.

Jürgen Moltmann, teólogo contemporâneo, nos esclarece que muitas vezes quando pensamos em espiritualidade pensamos naquilo que monges, clérigos e religiosos vivem, quando na verdade a espiritualidade é algo inerente a todos nós, seres humanos, quer exerçamos e convivamos com ela ou a neguemos totalmente em favor da razão. A espiritualidade não é, então, aquela idéia alienante que freqüentemente temos em mente. Não é (ou não deveria ser) o ópio, que aliena da realidade. Tal mentalidade produz seres humanos desengajados do mundo e de si mesmos, alienados em fortalezas religiosas contra este mundo tenebroso. Ora, pior do que se negar a instância espiritual é viver exacerbadamente nesta concepção errônea – o FANATISMO.

Moltmann, pelo contrário, estabelece a idéia de uma espiritualidade engajada no mundo e conectada à humanidade, que deve ser desenvolvida em comunidade. Ele afirma: “A nova espiritualidade abarca a vida inteira, não apenas suas facetas religiosas, que eram chamadas de ‘vida da fé’ ou ‘vida de oração’”. Ele chega a afirmar que “a verdadeira espiritualidade é o renascimento do pleno e indiviso amor pela vida. O sim total à vida e o amor desimpedido por tudo que é vivo (...). A espiritualidade da vida (...) rompe as anestesias internas, a couraça da indiferença dos corações e a frieza sentimental diante do sofrimento alheio.” Tal concepção carrega em si uma nova mentalidade, que abarca não somente o amor pela vida individual, nem tão somente a transcendência e experiência mística como espiritualidade, mas a vida em comunidade, a solidariedade e até a ecologia. É algo um tanto quanto avesso a tudo o que presenciamos no nosso dia a dia.

Outro autor, Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, aplica a instância espiritual ao aparelho psíquico freudiano, dizendo que “qualquer manifestação, seja ela espiritual, psíquica ou física, pode ocorrer em qualquer um dos níveis: consciente, pré-consciente ou inconsciente.” Ele afirma que afirma que da mesma forma que a mente trabalha, a espiritualidade também pode ser reprimida e se tornar inconsciente, e pode até ser patogênica. Ele ainda diz que “sempre houve em nós uma tendência inconsciente em direção à Deus, que sempre tivemos uma ligação intencional, embora inconsciente, com Deus”

A espiritualidade pode ser conceituada, portanto, como uma instância humana, própria da potencialidade da vida em sua atualização, que culmina numa transcendência não somente em direção a Deus, mas em direção a um maior engajamento com a vida, com o mundo e com os outros seres humanos. A verdadeira espiritualidade é aquela que renasce para um amor interino pela vida, que quebra os efeitos anestésicos do ópio espiritual no ser humano e o faz acordar para valorizar a vida em toda a sua integralidade e potencialidade.
Prossigamos, então, para sintetizar e reaplicar os conceitos.

3- ESPIRITUALIDADE E RESILIÊNCIA: a Superação e a Transcendência

Primeiramente, algumas observações empíricas. Em uma observação feita nos campos de concentração. Kral (1951) afirmou que crianças, adolescentes, mulheres religiosos se adaptavam mais rápida e eficientemente às condições nos campos de concentração. Anthony (1987) afirma que aqueles que desenvolvem uma filosofia de vida ou uma perspectiva religiosa, conseguem ser altamente efetivos em se construírem resilientes frente às vulnerabilidades. Vários autores ressaltam, nas características do indivíduo resiliente, pontos como otimismo, esperança, fé, desenvolvimento da espiritualidade, capacidade de reflexão e significação da situação mediante a espiritualidade, enfim, são vários os fatores de proteção que podem ser encontrados na espiritualidade. São várias as observações em campos de concentração de que indivíduos que tinham contato com a sua espiritualidade não só sobreviviam aos campos, mas que também se adaptavam melhor e conseguiam se superar quando saíam. Temos exemplos de vários sobreviventes que se tornaram grandes pensadores, cientistas, etc, dois deles já citados aqui: Jürgen Moltmann, teólogo, e Viktor Frankl, psicólogo.

A vontade de viver, a esperança, o propósito para a vida, o sentido que é atribuído às situações adversas, o senso de pertença na comunidade, todos estes são efeitos da vivência da espiritualidade integral e saudável.

O sentido da vida é justamente o que Viktor Frankl tenta buscar com a sua psicologia. Ele dizia que o importante não é perguntar pelo que podemos esperar ou não da vida, mas sim o que é que a vida espera de nós. Ora, esta é uma atitude, em essência, espiritual, pois visa transcender as condições impostas pela vida.

Tillich afirma que “A vida vive da vida, mas vive também através da vida, sendo defendida, fortalecida e conduzida para além de si mesma mediante a luta”. A luta pela vida não somente é o centro da espiritualidade, mas também é o sustentáculo da resiliência. Moltmann diz que: “O Espírito divino da vida nos confere a coragem de lutar contra os poderes da morte em nós e ao redor de nós”. Quer afirmação mais direta em relação à resiliência?

Moltmann ainda diz: “Quem volta a amar a vida como tal, e não apenas a si própria, resiste às pulsões de morte dentro de si, bem como aos poderes de morte ao seu redor, e luta em prol do futuro da vida”.

Tillich discorre sobre a idéia de que o tipo de coragem derivado da espiritualidade é algo que transcende ao próprio ser humano. É a fé em algo maior, em um sentido maior para tudo o que se está vivendo. E a resiliência pautada nesta coragem de ser transcende às finitudes e limites humanos. Ele afirma que a fé não é uma opinião, mas um estado. É o estado de ser apoderado pela potência de ser que transcende tudo que é, e da qual tudo que é participa. Aquele que é apoderado por esta potência é capaz de afirmar-se porque sabe que está afirmado pela potência do ser-em-si. Ele ainda diz: “A coragem de ser está enraizada no Deus que aparece quando Deus desaparece na ansiedade da dúvida.”

Em relação a tudo o que vem sendo desenvolvido, podemos citar ainda Froma Walsh (op. cit.), que diz:

Crenças espirituais influenciam os modos de enfrentar a adversidade, a experiência da dor e do sofrimento, o que é rotulado de problema e o significado dos sintomas. Elas também influenciam o modo como as pessoas falam sobre a sua dor, suas crenças a respeito de suas causas e desenvolvimento futuro; suas atitudes em relação aos assistentes – clérigos, médicos, terapeutas, curandeiros; o tratamento que buscam; e suas abordagens preferidas da aceitação ou da mudança. Mais ainda, a própria psicoterapia, há muito considerada uma arte da cura, pode ser uma experiência profundamente espiritual tanto para os clientes quanto para os terapeutas, embora este aspecto do nosso trabalho tenha permanecido oculto. (p. 87)

Viktor Frankl em seu livro A Presença Ignorada de Deus (2001) afirma: “Efetivamente, na psicoterapia trata-se de mobilizar, a todo momento, a existência espiritual no sentido de uma responsabilidade livre, contrapondo-a aos condicionamentos da facticidade psicofísica, que o paciente tende a aceitar como seu destino. E precisamente frente a esta facticidade deve ser despertada a consciência da liberdade, aquela liberdade e responsabilidade que constituem o ser humano propriamente dito.” A transcendência que a psicoterapia promove resulta na liberdade, a saber, na existência espiritual.

A resiliência é, portanto, a arte da vida, da flexibilidade e da atualização das nossas potencialidades frente ao que nos prova. Viver é uma aventura, é o desvelar das surpresas em busca da descoberta de que, no final, o que se leva da vida é a vida que se leva. A espiritualidade, por excelência, é a unidade, a potência e a dimensão humana que desprende sentido e essência às nossas experiências de vida.

Esconder-se, alienar-se, anestesiar-se, fugir e esquivar são opções que de fato se apresentam quando experimentamos o amargo sabor dos percalços em nossas vidas. Podem até ser tentadoras a priori. Todavia, aquele que busca levar uma vida plena e cheia de sentido é justamente aquele que não se paralisa diante das adversidades, mas que as enfrenta com coragem e luta dignas de um guerreiro sob a bandeira da fé na vida e na humanidade, fé em si mesmo e, em última instância, fé no “Deus além de Deus” (TILLICH) este totalmente outro, desconhecido do ser humano, captado no espírito da humanidade limitada, falha e faltante.